"... Ver muito lucidamente prejudica o sentir demasiado..." Fernando Pessoa
Algumas impressões sobre a arte da vida: um olhar atrevido, o ritmo de uma melodia, a cadência de alguns versos, palavras ardidas... o pulsar de um coração!
"Já aviso, aqui a casa é ventilada, o coração é quente e as vontades têm a temperatura exata para os sonhos."(Vanessa Leonardi)
"Não sei... se a vida é longa ou curta demais para nós. Mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocamos o coração das pessoas." (Cora Coralina)
Todos os méritos aos autores de obras artísticas e intelectuais aqui postadas ou citadas: fotografias, charges, textos e afins... Este espaço também é destinado para reconhecer, valorizar e disseminar o trabalho de todos vocês. Anônimos ou não.
(Havendo necessidade da retirada de algum material que não tenha citação do autor, pois algumas vezes o desconheço, estou a disposição. Basta acionar-me!)
Obrigada pela visita!
=]
"A experiência amorosa exige sacrifício. Não se ama para ser recompensado. O amor é sua própria recompensa. (...) É a experiência humana mais exigente; não é contrato, troca de favores, investimento, é entrega e compromisso. Do ‘sacrifício’ de amar nasce a mais perfeita alegria. Ninguém faz cara feia quando se sacrifica por amor. Não se trata de anulação, subserviência de quem ama, trata-se da morte do ego, tarefa a ser feita até o último suspiro." (Adélia Prado)
"- Você vai para a Liberdade? - Não, eu vou para o Paraíso. Ele sentou-se ao meu lado. E disse: - Então eu irei com você." (Caio Fernando Abreu)
Sampa - João Gilberto
Gostei desta alusão à cidade maravilhosa!! =] Bem, daqui a um tempinho, seguirei rumo ao "paraíso" (perto,pertinho, rsr)... Após muita chuva, enfim uma trégua pra eu caminhar pela Paulista! Sempre majestosa, intensa... Venho tanto a Sampa, e não me canso de passear por ela. Me seduz!
Vontade de dançar e me agitar toda!
E me sentir livre, livre
Solta!
Leve...
Eu só fecho os olhos!
"... Everybody's free (Everybody's got to be free yeah)
(This is the sound of freedom)
Don't care what people say
Free yourself, let yourself go
Sweat music is playin'
Free yourself, let yourself go
Release that stress
Free yourself, let yourself go
Yeah, listen up people
Everybody gotta be, be yourself, be yourself now
You got to live your live free yeah
Don't worry 'bout a thing, just be yourself yeah
Everybody's got to be free..."
"Não gosto de dar confiança para a razão, ela diminui a poesia." (Manoel de Barros) "L'Empire des Lumieres" Magritte
Djavan - Tão raro
"... a paisagem leva-nos a pensar na noite, o céu no dia. Na minha opinião, esta simultaneidade de dia e noite tem o poder de surpreender e de encantar. Chamo a este poder poesia" - Magritte
A quimera da felicidade (...) do alto de uma montanha, inclinei os olhos a uma das vertentes, e contemplei, durante um tempo largo, ao longe, através de um nevoeiro, uma cousa única. Imagina tu, leitor, uma redução dos séculos, e um desfilar de todos eles, as raças todas, todas as paixões, o tumulto dos impérios, a guerra dos apetites e dos ódios, a destruição recíproca dos seres e das cousas. Tal era o espectáculo, acerbo e curioso espectáculo. A história do homem e da terra tinha assim uma intensidade que não lhe podiam dar nem a imaginação nem a ciência, porque a ciência é mais lenta e a imaginação mais vaga, enquanto que o que eu ali via era a condensação viva de todos os tempos. Para descrevê-la seria preciso fixar o relâmpago. Os séculos desfilavam num turbilhão, e, não obstante, porque os olhos do delírio são outros, eu via tudo o que passava diante de mim, - flagelos e delícias, - desde essa cousa que se chama glória até essa outra que se chama miséria, e via o amor multiplicando a miséria, e via a miséria agravando a debilidade. Aí vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a inveja que baba, e a enxada e a pena, úmidas de suor, e a ambição, a fome, a vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor, e todos agitavam o homem, como um chocalho, até destruí-lo, como um farrapo. Eram as formas várias de um mal, que ora mordia a víscera, ora mordia o pensamento, e passeava eternamente as suas vestes de arlequim, em derredor da espécie humana. A dor cedia alguma vez, mas cedia à indiferença, que era um sono sem sonhos, ou ao prazer, que era uma dor bastarda. Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da fatalidade das cousas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura, - nada menos que a quimera da felicidade, - ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, como um escárnio, e sumia-se, como uma ilusão.
Machado de Assis, in 'Memórias Póstumas de Brás Cubas'
Cá com meus botões: a felicidade é uma escolha? Depende de algo? É transitória, passageira, provisória? É um sonho fantástico? Um estado de espírito? Tem fim? (...)